Palavras - Estrutura e Formação


Palavras - Estrutura e Formação

Estrutura e Formação das palavras - Detalhamento

Morfologia: É o ramo da Gramática que estuda as palavras (Sua estrutura, formação e classificação). Neste tópico, veremos os conceitos de estrutura e formação. No tópico seguinte, veremos a classificação das mesmas.
Morfema: É a menor partícula com significado existente de uma palavra, e que se reunida a um radical lhe confere um sentido diferente do anterior. Os morfemas podem ser classificados em dois grupos: Morfemas Gramaticais e Morfemas Lexicais.
Os morfemas gramaticais são aqueles que possuem um significado interno à sua estrutura, são um afixo, uma preposição, artigo, conjunção e indicam gênero, número e tempo verbal da palavra. Por exemplo: Correr, Corrida, Corrimão. O morfema lexical Cor é invariável enquanto os morfemas gramaticais (pintados em vermelho) variam continuamente.
Os morfemas lexicais são aqueles aos quais recorrem todas as derivações da palavra. Por exemplo: Correr, Corrida, Corrimão. O morfema lexical destes vocábulos é Cor.


Tipos de morfemas:
Podemos classificar os morfemas de uma palavra em seis tipos, são: Desinência, Raiz, Radical, Afixo, Tema e Vogal Temática. Vejamos cada um deles mais a fundo.
Desinência – A função da desinência é designar as variações de número, tempo e modo para verbos e para nomes as variações de número e gênero.
Radical - É a parte que se repete em quase todas as palavras de uma mesma família, age como segmento lexical de uma palavra.
Raiz – A raiz cumpre a função literal de seu nome, ela serve como base para a formação de diversas palavras, pois contém o núcleo significativo das mesmas. Mesmo com a mudança do radical percebe-se a semelhança entre palavras de uma mesma família por causa de seu significado.
Afixo – Os afixos vêm do processo de formação da palavra, se ela recebe uma partícula em seu início, meio ou fim ela recebe então um afixo que pode possuir diferentes nomenclaturas. São elas: Prefixo (antes da palavra), Sufixo (depois da palavra), Infixo (no meio da palavra).
Vogal Temática – A vogal temática é o que possibilita a palavra a receber derivações e o que caracteriza verbos e nomes que não são flexionados. Ela pode ser dividida em vogal temática nominal: A / E / O. Exemplos: CadernO, AgendA, DoentE. E a vogal temática verbal: A / E / I. Para primeira, segunda e terceira conjugação respectivamente. AndAr, BebEr, SentIr.
Tema – Ao juntarmos a vogal temática ao radical temos, então, a composição do tema da palavra.

Formação das Palavras

 Palavras primitivas: são palavras que servem como base para a formação de outra e que não foram formadas a partir de outro radical da língua.
Exemplos: pedra, flor, casa.

Palavras derivadas: são palavras formadas a partir de outros radicais.
Exemplos: pedreiro, floricultura, casebre.

No português, os principais processos para formar palavras novas são dois: derivação e composição.

Derivação

É a formação de palavras a partir da anexação de afixos à palavra primitiva.
Exemplos: inútil = prefixo in + radical útil.
O processo de derivação pode ser prefixal, sufixal, parassintético, regressivo e impróprio.

Derivação Prefixal

Faz-se pela anexação de prefixo à palavra primitiva.
Exemplos: desfazer, refazer.

Derivação Sufixal 

Faz-se pela anexação de sufixo à palavra primitiva.
Exemplos: alegremente, carinhoso.
Os sufixos são divididos em nominais, verbais e adverbiais.
Sufixos nominais são os que derivam substantivos e adjetivos;
Sufixos verbais são os que derivam verbos;
Sufixo adverbial é o que deriva advérbio, esse existe apenas um: -mente

Derivação Parassintética

Faz-se pela anexação simultânea de prefixo e sufixo à palavra primitiva.
Exemplos: desalmado, entristecer.
A derivação parassintética só acontece quando os dois morfemas (prefixo e sufixo) se unem ao radical simultaneamente. Note que na palavra desalmado houve parassíntese. É fácil perceber, pois não existe a palavra desalma, da qual teria vindo desalmado, da mesma forma não existe a palavra almado, da qual também teria vindo desalmado. Portanto, ocorreu anexação de prefixo e sufixo ao mesmo tempo.

Derivação Regressiva 

Faz-se pela redução da palavra primitiva.
Exemplos: trabalho (trabalhar), choro (chorar).
O processo de derivação regressiva produz os substantivos deverbais, esses são substantivos derivados a partir de verbos.

Derivação Imprópria 

Forma-se quando uma palavra muda de classe gramatical sem que a forma da primitiva seja alterada.
Exemplos: O infeliz faltou ao serviço hoje. (adjetivo torna-se substantivo).
Não aceito um não como resposta. (advérbio torna-se substantivo, o artigo um substantiva o advérbio).


Composição

O processo de composição forma palavras através da junção de dois ou mais radicais.
Exemplos: guarda-roupa, pombo-correio.

Há dois tipos de composição: aglutinação e justaposição.

Composição por Aglutinação 

Ocorre quando um dos radicais, ao se unirem, sofre alterações.
Exemplos: planalto (plano + alto), embora (em + boa + hora).

Composição por Justaposição

Ocorre quando os radicais, ao se unirem, não sofrem alterações.
Exemplos: pé-de-galinha, passatempo, cachorro-quente, girassol.


Outros processos

Hibridismo 

Ocorre quando os elementos que formam a palavra são de idiomas diferentes.
Exemplos: automóvel (auto= grego, móvel= latim), televisão (tele= grego, visão=latim).

Onomatopéia

Acontece nas palavras que simbolizam a reprodução de determinados sons.
Exemplos: tique-taque, zunzum. 

Redução ou Abreviação

Esse processo se manifesta quando uma palavra é muito longa, pois forma novas palavras a partir da redução ou abreviação de palavras já existentes.
Exemplos: pornô (pornográfico), moto (motocicleta), pneu (pneumático).

Neologismo

É a criação de novas palavras para atender às necessidades dos falantes em contextos específicos.
Veja os neologismos num trecho do poema Amar, de Carlos Drummond de Andrade:

Que pode uma criatura senão,
senão entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?